Sentado na tentativa de entrar em contato, os movimentos das arvores me negaram. Moviam-se com o vento a principio, mas depois vi que se contorsiam na tentativa de se distanciarem de mim, charmosamente fofocando na sua língua ancestral. Foi então que a música que me consolava passou também a me ignorar e todos conversavam na sua festa social na qual não fui convidado. Eu pegava emprestada a diversão da natureza, mas a minha presença não alegrava ninguém.
Tudo se conversa, todos se entendem. Pouco importa na festa da vida que o homem não sai do canto, pois prefere ficar ali com sua cerveja a ensaiar xavecos mentirosos para desesperadamente provar sua superioridade. A cadeira dançando polca com a mesa e as estrelas invejando a lâmpada que muito se apaixonou pelas mariposas. Grama brincando de telefone sem fio, até porque a comunicação das gramíneas é péssima, então, sempre têm de passar recados.
Foi então que o som se transformou em um ruído de interferência imediata no som da caixa terrestre que movia todos os planetas com bossa velha. É grosseiro e funcional, não tem violão e nem cantor mas faz todo mundo dançar.
Já o homem prefere música clássica.
Coitadinha da estrelas...deve ser apaixonar-se por mariposas e perder para as lâmpadas. Mal sabe as estrelas que o céu é delas.
ResponderExcluirque doidera em bd,
ResponderExcluirmuito bom mano.
algo de conteudo.