quinta-feira, 10 de março de 2011

Jardim de Inverno

Flor-de-seda pulsando no vento tão frio

me lembra a promessa de vida, bolor

A meta se entende, inverno no cio

Ansiedade se esconde por dentro da flor



Vejo que é grande onde jaz o calor

Segurando o cheiro e tempero que for

espremer o momento em que nada é tao frio

sinto que assim que se vive de amor

Tempestade em Copo de Tinta

O calor não me surge mais como antes. Não sei mais caminhar em direção ao sorriso e sinto uma força que fecha meus lábios na hora de dizer “Bom Dia”. Parece que meu vocabulário se esconde um pouco mais a cada dia, pula da boca macia, sai de mim e vai para qualquer pagina que não as que escrevo. Ando tão tímido que até meu espelho fica sem graça ao me ver. Ah, me cansei de pensar, mas, sei te afirmar que sou um camaleão um pouco inexperiente e não sei mais que cores mostrar. Passam os dias sem cor e a fumaça do cigarro dá o tom da minha fala. Trago a fumaça sem te trazer nada pra contar e assim pretendo ficar, até que meu vazio mude de cor novamente. Quem sabe então eu tenha mais simpatia e empatia pra te mostrar uma cor que seja minha porque agora, nem cinza!

Plutao

Ta escuro aqui, tem quarto pra todo canto e la, bem no meio, a minha poltrona. Minha poltrona brilha sozinha sem a lâmpada de leitura ou abertura da porta que da para o corredor. Sintonizo-me com a vontade de sentar e imaginar o infinito porque no escuro tanto faz. Se é a infiltração ou Vênus que procuro eu nem sei mais, porque no escuro tanto faz. Eu sei que tem história pra la da minha porta, porem esta historia de mais de mil homens não importa no espaço. Se eu abrisse o quarto, a luz torta corta a magia em relâmpago, e aí a galáxia se rompia em pedaços tão pequenos que não mais se juntariam numa mesma ideia. Entre marte e saturno se criaria um abismo minúsculo que ilumina meu armário, inestimavelmente me diminuindo para meu ponto. Pontozinho meu, no meio do quarto.