
Quantos barulhos vêm desavisados? Quantas pessoas que passam ao meu lado ainda hei de encostar? Aqui está o mundo à minha volta, grande esfera inacessível que não revela seus segredos, por sorte ou azar.
Agora, desde já, renuncio seus prazeres provocativos que, antes, me causavam tanto anseio. Ao invés de todo esse imaginar conhecer que manuseio, procuro gozar da ironia de sobreviver com menor conhecimento dos pequenos fatos-fardos. Esses que guardam a ilusão da criação. Não temos informação, é só permissão. Essa sim, só ela cumpre toda a sua função e se encontra presente inevitavelmente no pulsar do meu baião. Lá de dentro de mim o meu mundo é tão descarado que não tem forma e nem um porque da própria existência. É recente, crescente, é essência?
Quem sacode a escala Richter? Quantos pontos eu sou no plano cartesiano? Fique anunciado aqui, por minha parte (pequena), que ainda não se tem uma maneira científica, utópicamente magnífica de medir o tamanho de um homem, até porque, não passamos de bolhas de sabão. Enormes bolhas com indiferença tão igual, respirando e inspirando seu reflexo. Simples ou complexo ele bóia perplexo nesse manto fino que te faz um globo-balão.
Ora, acanhar-se com licença ou sem tom não é, porém, nada bom. Meça bem o seu tamanho, seu dom. Estufa a película dura e empanturra a gula bruta que assim padece, no fim acaba que agradece pelo reflexo de outra bolha padrão. Proponho humildemente um desafio. Peço que separes o dentro do fora e procure me afirmar o que de fato importa, se o ar que ta dentro é o mesmo que ta fora. Vá nos cadernos e na bíblia, busca nos jornais o seu saber, mas não esquece disso tudo que, se porventura algo se demonstre maciço, grande o bastante para explicar tudo isso, no fundo só temos o processo de viver. Na pele, a separação do vazio do mundo de outro vazio tão grande que é o ser.
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