sexta-feira, 16 de julho de 2010

Filosofia do vazio


Quantos barulhos vêm desavisados? Quantas pessoas que passam ao meu lado ainda hei de encostar? Aqui está o mundo à minha volta, grande esfera inacessível que não revela seus segredos, por sorte ou azar.

Agora, desde já, renuncio seus prazeres provocativos que, antes, me causavam tanto anseio. Ao invés de todo esse imaginar conhecer que manuseio, procuro gozar da ironia de sobreviver com menor conhecimento dos pequenos fatos-fardos. Esses que guardam a ilusão da criação. Não temos informação, é só permissão. Essa sim, só ela cumpre toda a sua função e se encontra presente inevitavelmente no pulsar do meu baião. Lá de dentro de mim o meu mundo é tão descarado que não tem forma e nem um porque da própria existência. É recente, crescente, é essência?

Quem sacode a escala Richter? Quantos pontos eu sou no plano cartesiano? Fique anunciado aqui, por minha parte (pequena), que ainda não se tem uma maneira científica, utópicamente magnífica de medir o tamanho de um homem, até porque, não passamos de bolhas de sabão. Enormes bolhas com indiferença tão igual, respirando e inspirando seu reflexo. Simples ou complexo ele bóia perplexo nesse manto fino que te faz um globo-balão.

Ora, acanhar-se com licença ou sem tom não é, porém, nada bom. Meça bem o seu tamanho, seu dom. Estufa a película dura e empanturra a gula bruta que assim padece, no fim acaba que agradece pelo reflexo de outra bolha padrão. Proponho humildemente um desafio. Peço que separes o dentro do fora e procure me afirmar o que de fato importa, se o ar que ta dentro é o mesmo que ta fora. Vá nos cadernos e na bíblia, busca nos jornais o seu saber, mas não esquece disso tudo que, se porventura algo se demonstre maciço, grande o bastante para explicar tudo isso, no fundo só temos o processo de viver. Na pele, a separação do vazio do mundo de outro vazio tão grande que é o ser.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

A maior das pausas


Me roubaram os versos. Sobrou o silencio. Dói não ter o que falar quando mil fantasmas sem nome me atravessam. Não têm cor nem peso, mas passam por mim com tanto furor que me deixam cada dia mais branco e vazio.


Quanta dor eles carregam.

Tem gente comendo gente correndo, gente cantando blues.
Tem gente regando as roseiras do vizinho, gente beijando a cruz.
Tem gente que quer gente e gente que faz medo na gente
Gente com dente, gente sem dente. Tem até gente quenem eu
Sentado no tédio achando que ta dando a luz.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Intranet



tasco o pincel no molho brilhante
pinto em pixeis idéias da estante
meus dedos destinam em traços passados
marcados, gastos, gatos pardos caçados

campo novo entao em caduco me faz
ai como dói esse tédio, rapaz

DosaDor

Seria possível sentir a dor segurando o dosador? Gota por gota me dando doses? Os junkies se arriscam tanto. A abstinência é a solução? Esvaziar com a falta da sensação? Acho que não.
Sentir sempre a cabeça na minha mão, e sem grandes perdas! Eu quero umas gotas apenas! Sem dormir ou pairar seguro. Segurança no caos! Segurança viva eu quero. Me de a dor para que eu morra aos poucos sem me afogar na vida, sentindo o desgaste na medida.
Essa tristeza eu suponho como viva, e como vida. É lindo e interno. Para mim a vida é interna e o mundo me da repertório para o interno. Me trago nadando comigo no mar do mundo sentimental. Queria uma bóia, sem deixar de me molhar! Me de um pouco dessa droga aí, que eu gosto, mas me segura para eu não me afogar, pelo amor de deus.

Edredom

Leve cortejo com caricias do meu edredom
Levo do seu calor o cerne do meu dia
Caliente a minha flor da alegria
Em sussurante som eu lanço o tom
Da sinfonia preguiça de pétala lisa

Levo leve a poesia
No tempo corrido depois que o galo assovia